sexta-feira, 7 de maio de 2010

De Amores e de Cobras


Um dia percebi que gosto de me apaixonar e que também gosto de criar cobras, e fiz destes dois aspectos importantes da minha vida uma espécie de sacerdócio.
Amar, pra mim, tem um sentido todo especial e cada paixão nova que me aparece nova vida também se faz ser em mim, e me renasço e fico de novo, num estado de quase êxtase.
Ao mesmo tempo que meus amores vão tomando dimensão , aumenta minha criação de cobras e me envolvo com elas de tal forma como me envolvo com meus amores.
É comum me ver encontrando meus amores da ocasião com algumas cobras enroladas no pescoço, o que, geralmente, para horrror deles e desdita minha, faz com que meus compromissos terminem a partir disso, e eu entro num profundo estado de depressão, que geralmente acaba quando um novo amor aparece.
Mas, para sofrer menos quando esses amores terminam, percebi que de tanto me dedicar às cobras, acabei me transformando numa delas, todas as noites de lua cheia. Me transformo então numa enorme cobra de alguns metros, de pele bem luzidia,  numa tonalidade amarronzada, e saio rastejando pelas ruas, ora para dar um passeio, ora para encontrar outras cobras para eu amar.
No entanto, por também nunca ter encontrado cobras no número necessário que supra minhas decepções de amor com os novos amores humanos, estou vendo se me tranformo também em amor, para não precisar mais amar ninguém.
Mas parece estar difícil esta minha empreitada porque ainda não encontrei o ponto certo da minha transformação.
Enquanto isso não vem, vou arranjando amores novos pela rua e com eles vou ficando até que descubram que crio cobras ou que também, de vez em quando, sou uma delas.
Coisa louca, não?
Mas estou pensando em mudar minha tática de transformação de novo. Como já conseguir virar cobrarmas ainda não virar amor, vou arranjar um amor novo e ao invés de aparecer com cobras penduradas no pescoço, vou me transformar numa delas tão logo eu perceber que vou ser deixado. Então, quero ver se quando meu amor da vez perceber que virei uma cobra de verdade, ficará comigo ou não?
Boa Noite.
Bom fim de Semana.
Bação.
Cavibo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Não teria adiantado ser você ou quem gosta de você...

Não era você exatamente que eu queria. Era quem te acompanhava. Quem te amava. Quem te dava, de acordo com os seus anseios, o amor de que você precisava. Que necessitava. Que, sem o qual, você não seria muita coisa, senão nada mesmo!

Mas eu? E eu? Como ficaria nesse triângulo, que somente eu sabia da existência, que tinha ficado intenso e imenso, quando tive certeza plena de quem te acompanhava era quem eu também queria.

Fulminei-me em prantos, apelei para o meu senso de dignidade. Não podia trair você. Você não acreditaria que eu teria sido capaz disso.

Mas fui, viu!?

Interferi desde o Centro da Circunferência, exatamente onde começa toda a Teoria Abstrata da Geometria, onde  aplaudi, depois de ter feito o que premeditara, o feito de capacidade, gerado em mim pela necessidade de amar o terceiro ao invés de você.

Mas você não percebeu: morreu nos meus braços. E eu não tive o menor remorso. Mas até que morreram também. Não suportaram a sua ausência. Então, não era comigo que estavam. Era com você, apesar da minha conquista. Não fui feito para o amor. Não adiante surrupiar de ninguém o que para mim não é de direito. Saio de cena. Escorrego na casca da banana da desilusão, e caio de bunda na dura calçada da rua da minha eterna busca. Bação.

Stranger in The Paradise.




Com você, sim com você, na pista levemente giratória do círculo mágico da vida, onde se agregam meus desejos. E sentir o teu calor há tempo esperado, tanto e muito! O toque das suas mãos e o calor do teu corpo na dança do som dos pistons mágicos. Isto é o que sonhei. Nasci com este desejo e procurei realizá-lo nas pessoas idealizadas que cruzaram meu caminho. Não houve as pessoas, por isso inventei você. Por isso sou feliz assim. Por isso estou no paraíso, mesmo seno um estranho nele. Bação. Cavibo.

O Destino Certo Não se Deu, Mas de Pouco Adiantou.

Se o embarque dos meus pais imigrantes tivesse sido o certo, hoje eu não estaria aqui a lhes contar estas coisas, pois teria nascido em Nova York, e provavelmente estaria agora morando na Times Square, o Coração da Broadway, e teria visto todas as peças e musicais que queria ter visto, e teria arraigado nas minhas estranhas todo o melhor que o Sonho Americano pode dar.  Ainda bem!. Confundiram o navio, e meu destino foi aqui. Se eu tivesse nascido em São Paulo, eu estaria vivendo num  país que gostaria que fosse diferente, sem ter de ouvir o besteirol do Lula, sem ter que ter medo de andar até tarde na rua, sem ter que conviver com tanta injustiça e hábitos inusitados. No entanto, não estou aqui nem lá. Num falso alerta de um novo atentado suicida em Nova York, saltei desesperado do alto da Ponte do Brooklyn, e morri. 

O Surreal Pelo Intenso Desejo de Ser Amado.

Não poderia acreditar que depois de ter me dado lugar para eu sentar, no metrô, ainda fosse comigo ao cinema e assistisse ao filme de mãos dadas e me beijasse de quando em vez, fazendo-me sentir o melhor dos homens. Senti-me ligado àquele estado de amor tanto e tão intensamente, que penso que no meio do filme devo ter adormecido e tive de ser acordado, depois, pelo lanterninha que me disse que a sessão tinha terminado. Como? Mas, e a pessoa que estava comigo? Não havia pessoa alguma quando lhe chamei, senhor. O senhor dormia e estava desacompanhado. Mas... Mas, tive de sair. Chovia tanto na Avenida Paulista que me lembrei que se a pessoa dos meus beijos ainda estivesse comigo e me desse carona, eu iria embora feliz, debaixo da chuva, pois ela tinha guarda-chuva. Nada a fazer se não esperar a chuva passar e perceber que batiam às minhas costa e eu em seguida a olhar quem e o que era. Era outro lanterninha do cinema que veio com um guarda-chuva, dizendo que eu o havia esquecido na sala de projeção. Bação.